Cheguei a me interessar pelo metaverso quando ele bombou. Nunca comprei um óculos, nunca cheguei a testar de verdade, mas lembro de acompanhar as notícias e imaginar como seria uma reunião de trabalho com avatar em vez de câmera ligada. Achei, por um bom tempo, que era só eu que tinha ficado apenas na curiosidade. Os números mostram que quase todo mundo ficou.
Este artigo mostra o que realmente aconteceu com o projeto que mudou o nome do Facebook, e pra onde o dinheiro foi parar depois.

Os números por trás do silêncio
Em 2021, Mark Zuckerberg trocou o nome da empresa pra Meta, uma aposta declarada no metaverso como o futuro da internet. O aplicativo principal do projeto, o Horizon Worlds, foi desenhado pra abrigar um bilhão de pessoas. Em 2022, chegou a 38 usuários ativos. No pico de otimismo, em 2023, o número parou perto de 200 mil, uma fração ínfima da meta original.
Segundo o Financial Times, a Meta perdeu mais de US$ 70 bilhões no projeto até o fim de 2025. No início de 2026, a empresa cortou 30% do orçamento do metaverso e fechou os estúdios de jogos em realidade virtual do Horizon Worlds, colocando um ponto final numa aposta que durou quatro anos.
Pra onde o dinheiro foi parar
A resposta não é mistério: inteligência artificial. A Meta criou a Superintelligence Labs, contratando talento de peso da OpenAI e da Apple, e abandonou a filosofia open source do modelo Llama em favor de um novo modelo proprietário, batizado internamente de Avocado. A segunda frente de investimento são os óculos inteligentes, onde a empresa já se posiciona como referência com a linha Ray-Ban Meta, o produto de hardware que efetivamente conseguiu adoção real fora do público early adopter.
Google e Apple também deram uma banana disfarçada de recuo
A Meta não estava sozinha nessa aposta. Google e Apple fizeram investimentos menos visíveis, mas significativos, em tecnologia de metaverso ao longo dos últimos anos. O padrão se repete: sem confirmação pública de fracasso, mas com redirecionamento silencioso de recurso e atenção pra outras frentes, principalmente IA e hardware vestível.
O metaverso está morto de vez?
Não exatamente. Especialistas ainda apontam que a tecnologia pode ser retomada no futuro, quando a infraestrutura de hardware ficar mais barata e a experiência de uso resolver os atritos que afastaram o público em massa. O que morreu não foi o conceito inteiro, foi a versão vendida como substituta iminente da internet como conhecemos, aquela promessa de trabalhar, socializar e gastar fortuna inteira dentro de mundos virtuais em poucos anos.
A lição que fica, além da nostalgia
O episódio resume uma lição simples: visão de futuro sem validação real de mercado consome capital, tempo e credibilidade. A Meta apostou bilhões numa tecnologia antes de confirmar se as pessoas realmente queriam viver dentro dela. É o tipo de erro caro que qualquer empresa, grande ou pequena, corre risco de repetir com a próxima onda de hype, seja ela qual for.
Fico pensando se a inteligência artificial vai seguir o mesmo roteiro em algum momento, todo mundo apostando alto antes de confirmar o que o usuário comum realmente quer usar no dia a dia. Ou se, dessa vez, a adoção real já está acontecendo rápido demais pra repetir o erro do metaverso.
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